quarta-feira, 4 de abril de 2018

A OTIMIZAÇÃO DA SUA VIDA


Olá, prezados leitores. Semana que passou foi uma cascata de acontecimentos de alto impacto emocional.  Se apenas um dos eventos tivesse ocorrido nesse ano, já seria uma carga emocional alta, agora todos eles ocorrem em poucos dias, realmente foi algo forte.  Misteriosa e insondável vida.

O tópico desse artigo não é, entretanto, fatos emotivos da minha vida, mas sim sobre a otimização da mesma. Há alguns meses, venho empreendendo uma jornada de auto-conhecimento sobre o meu corpo, os alimentos que consumo, a forma como durmo, e muitos outros aspectos que passam despercebidos na vida das pessoas.  Depois de ler alguns livros, ouvir dezenas de podcasts, e ler artigos científicos, tenho a sensação de tempo perdido por não ter ido atrás desse tipo de conhecimento há muito tempo atrás.  Talvez não tivesse a maturidade suficiente. Seja como for, nunca é tarde para esse tipo de coisa. Outro aspecto que se destaca é a complexidade de muitos temas relacionados à nossa saúde física e mental. O que venho aprendendo e apreendendo até aqui é o básico do básico, mas mesmo assim cada vez fico mais interessado sobre o tópico.

Por qual  motivo todo esse interesse? Pela simples razão que a otimização da saúde é uma das únicas formas de termos vidas intensas, ricas e prazeirosas.  Em 2003, com 23 anos de idade, viajei com minha mãe e irmã para o Pantanal e a Região de Bonito no Mato Grosso do Sul. Quem já foi nesse local especial do Brasil, sabe que a região é espetacular. Nos últimos dias da viagem todavia, fui acometido por uma dor intensa na região do estômago. Tudo ficou mais cinza, triste e sem graça, mesmo no meio de tanta beleza natural. Quanto estamos com dor, quase tudo mais perde a importância.  Mesmo uma mãe com extrema dor, talvez não pense tanto nos seus amados filhos. Dinheiro, fama, poder, mulheres, com certeza perderão todo o brilho e encanto na presença de uma dor aguda intensa. Se essa dor for crônica, então mesmo um bilionário se transforma num miserável.

Num grau não tão elevado como uma dor aguda, o nosso corpo pode estar num estado mais otimizado ou não. Você, prezado leitor, pode acordar descansado e com energia renovada, ou pode se arrastar de forma letárgica para os seus compromissos matinais. Eu prefiro estar na posição de acordar bem e com vigor, do que estar num estado mais letárgico. Ambos são estados que talvez não indiquem a presença de doença, dor ou qualquer outra enfermidade, mas parece-me evidente que um estado é muito melhor do que o outro. 

Se alguém puder acordar na maioria dos dias se sentindo bem, creio que esta pessoa estará otimizando esse aspecto da vida. E se for possível, por meio de conhecimento científico, aumentar e muito a probabilidade de uma pessoa ter uma boa noite de sono? Não seria esse tipo de conhecimento algo de extrema valia? Aumentando o espectro da pergunta, um investidor que possui R$ 1.000.000,00 estará otimizando mais a sua vida adicionando mais R$ 100.000,00 ao seu patrimônio ou se preocupando mais com suas noites de sono?

Um leitor mais atento talvez possa responder que as duas ações não são excludentes, pelo contrário, elas podem ser complementares, pois quem dorme bem, e se sente melhor e descansado de manhã, tem uma probabilidade maior de ser mais produtivo e por via de consequência aumentar o seu patrimônio em R$100.000,00.  Sim, isso é a mais pura verdade, e para mim parecia claro que esse conceito de otimização da saúde irradiando efeitos positivos para inúmeras esferas da vida ser algo auto-evidente.

Entretanto, ao conversar com pessoas com grande conhecimento em finanças, fiquei de certa maneira intrigado, como esse conceito não era tão evidente como eu pressupunha.  Como quase todo mundo que lê o que escrevo é da comunidade de finanças pessoais, a otimização de práticas financeiras é o mantra entoado aos quatros cantos da blogosfera. Isso é ótimo. Logo, o conceito de otimização, que nada mais é do que cada vez mais tentar melhorar algum processo com vistas a um melhor resultado, é bastante intuitivo e encorajado nos blogs de finanças.  Se alguém dissesse para um leitor desse blog, ou a algum outro blogueiro, “você deve economizar mais do que gasta”, provavelmente a pessoa iria responder “claro, claro, porém é apenas isso que você tem a dizer sobre um tópico tão denso como finanças pessoais?”. Sim, alguém que lê sobre FII, ETFs, e até mesmo investimentos no exterior por meio de alocação de ativos, está passos a frente de alguém que ainda está no estágio de “é preciso viver dentro dos limites do que se ganha”. O leitor, ou o blogueiro, que vai além desse conceito fundamental, mas de certa forma primário, está otimizando os seus conhecimentos e sua vida financeira.

Qual, então, não foi a minha surpresa ao ouvir informações tipo “você precisa gastar menos do que ganha” em relação à otimização da saúde de inúmeras pessoas. Sim, eu sei, mas é só isso que se tem a dizer? Pois se é assim, está se muito longe de potencializar a saúde, a produtividade e o bem-estar geral. Diria que muito longe.

É por isso que gosto do Mister Money Mustache, ele é um otimizador nato da vida. A parte financeira nos dias de hoje é muito importante para uma boa vida, por isso ele (MMM), como seria natural, otimizou esse aspecto da própria vida. Porém, o dinheiro é apenas um dos diversos aspectos da existência de uma pessoa. Além das preocupações financeiras, alguém precisa saber como criar um filho, ou como se divertir, ou como enfrentar situações de estresse da melhor maneira possível, ou como conviver com pessoas de convivência mais difícil, entre dezenas de outras facetas da vida humana. Há inúmeras áreas de otimização, de melhora na nossa vida, a financeira é apenas uma, e talvez nem seja uma das mais essenciais, apesar de sua importância. Esse é um dos motivos também de per si, ou seja apenas por este fato, não me impressionar tanto com feitos financeiros de W.Buffetts da vida, aliás eu não me impressiono quase nada, e se a otimização financeira veio por meio de uma atrofia de outras áreas tão ou mais importantes, então para mim fica claro que esse não é um bom modelo para uma vida plena e completa.

Como pano de fundo para quase tudo na vida está a nossa saúde, logo essa área é de vital importância para alcançarmos os mais variados objetivos aos quais nos propomos.  Se você não faz a mínima ideia sobre o que está comendo, como está dormindo, se tem dores pelo corpo, e sua preocupação maior é com a rentabilidade dos seus investimentos, ou sobre o que um determinado político faz ou deixa de fazer, eu creio que há uma grande probabilidade de você estar completamente perdido em suas prioridades de vida.  Talvez o seu corpo possa estar adoecendo, ou já esteja doente, e você não esteja dado a atenção devida. E se uma doença se instala, assim como eu com dor aos 23 anos, tudo mais fica mais triste e sem graça.

Sim, há pessoas que ganham na “loteria genética” e chegam aos 95 anos correndo meia-maratonas. Há pessoas “sortudas” que fumam por décadas e não desenvolvem câncer de pulmão. Por outro lado, há pessoas com azar na “loteria genética” e ficam doentes mesmo com os melhores hábitos possíveis. A saúde e a doença são condicionadas por fatores genéticos e ambientais. Fatores ambientais até mesmo condicionam a expressão genética da pessoa, o que se chama de epigenética.  Se não fosse  o bastante, adicionando uma camada ainda maior de complexidade, nos últimos 10-15 anos uma enxurrada de estudos científicos estão mostrando que a saúde e a diversidade das bactérias e vírus que habitam os mais variados órgãos do nosso corpo (o que se dá o nome de microbiota) são essenciais para a saúde humana.  Casos de depressão, autismo, as mais variadas doenças auto-imunes estão associadas com a disbiose (ou seja o adoecimento e perda da diversidade das bactérias do nosso corpo) de nossa microbiota. Já parou para pensar quão revolucionário é para nossos sistemas filosóficos e éticos refletir que aspectos comportamentais negativos, com impactos na vida em sociedade, podem ser influenciados pela saúde das bactérias que habitam o seu corpo? Isso é incrível. Ou pensar que na verdade nós somos uma entidade composta de milhares de espécies diferentes? É incrível como um novo conhecimento pode trazer formas radicalmente novas de se entender a si mesmo e ao mundo.

Logo, o assunto sobre saúde e doença é complexo e multifatorial. Porém, isso não significa que mesmo assim não se possa otimizar a sua vida, prezado leitor. Muito pelo contrário. Se você realmente quer ter uma probabilidade maior de uma vida mais longa e com saúde , o que poderá proporcionar que você realize diversas atividades com significância por muitos e muitos anos, não se contente com “você precisa gastar menos do que ganha” tipo de conselhos quando se trata sobre a sua saúde, alimentação e bem-estar. 

Um abraço a todos!




48 comentários:

  1. Excelente reflexão muito bem elaborada!

    Abraço e sucesso.

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  2. Passa umas bibliografias do que anda lendo, em relação a isso

    Lendo, ouvindo, etc etc etc

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    1. Ia pedir justamente a mesma ciico... Rsrs

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    2. Opa, amigos, vou fazer um artigo sobre isso, já que algumas pessoas perguntam.
      Abs

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  3. Eu costumo dizer que: para alguém que não vê valor em deixar herança, quando se perde a vida... não se perde só a vida, mas todo o dinheiro que o então morto possui naquele momento. Isto é, fato óbvio, não existe dinheiro sem vida.

    Isto, por si só, já demonstra a importância da saúde. Para alguns, seria muito mais vantajoso por exemplo investir numa vida saudável do que continuar trabalhando ou fazendo aportes ou investindo, etc.

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    1. Olá, Renato C.
      Sim, colega. Ao passar uma semana visitando uma UTI, fica nítido que não há nada que "compre" saúde, inclusive eu ouvi uma senhora reclamando para enfermeiros que teria dinheiro e queria alguma coisa. É a dependência de terceiros total e absoluta. As pessoas que falam da liberdade em textos, ou de dinheiro, com saúde e firmeza, mal sabem que podem parar num lugar com dor, abandando, e dependendo de terceiros para fazer os atos mais básicos de um ser humano como evacuar.
      Não sei, é para se refletir.

      Um abs

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  4. Conte o que aprendeu, por favor.

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    1. O bom de ser ignorante sobre um campo do conhecimento, é que a cada dia se aprende algo interessante. Estou ainda tentando consolidar o que venho aprendendo, é muita informação nova.
      Um abs

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  5. Também nutro profunda admiração ao MMM, ele realmente otimiza a vida, ou seja, extraí o máximo potencial dos meios que possui/desenvolveu. Ele faz isso com maestria, pois tem princípios/fundamentos bem definidos, um midset construído e definido em seus próprios termos. Coisa que boa parte das pessoas não tem ou jamais vão se preocupar com isso, pois estão apenas em piloto automático.

    O aspecto financeiro é o principal, ele é o gatilho que habilita a otimização em outras esferas, evidente, que é possível otimizar sem ele, mas com ele tudo fica mais fácil ou ao mesmo mais possível.

    Particularmente só consegui otimizar(e continuo) minha vida quando atingi o "enough money". Quando digo otimizar, me refiro a realmente me sentir como dono do meu destino e das minhas decisões, o sentimento de plenitude.

    Um outro ponto que gostaria de colocar: essa história de uma vida longa como um valor absoluto. Declino essa tese. Otimizar a vida está para mim com a realização de objetivos que uma vez atingidos preencham em mim a ideia de missão cumprida.

    Não sei se me expressei bem, mas é mais ou menos seguinte: Viver até os 35 anos tendo atingido meus propósitos de vida(muitas vezes deixando a saúde de lado, assumindo riscos enormes mas conhecidos, etc) ou ter uma vida otimizada de saúde que me conduza até os 90 anos mas sem grandes realizações ou uma vida que seja uma mescla dos dois primeiros (intensa e de longo prazo)?

    Eu fico nos extremos, o nobre escritor desse blog parece atribuir maior valor a última posição. São vidas, modos de encarar o trajeto...

    Obrigado, desculpe se alonguei e se me expressei de forma confusa.

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    1. Olá, colega. Grato pela sua reflexão, não foi confuso, pelo contrário.
      Com certeza o aspecto financeiro é importante, algumas pessoas acham que ele é o fator que irá desencadear a melhora em várias outros aspectos da vida. Pode ser que sim, mas eu sinceramente creio que esse "mindset" muitas vezes pode levar as pessoas a ignorar aspectos relevantes de sua vida, seja na busca da satisfação futura que talvez nunca chegue ("quando eu tiver X patrimônio, aí sim posso fazer Y, Z e K) ou seja na miopia para aspectos fundamentais de uma boa vida.


      A sua questão é interessante. Se alguém me dissesse que eu poderia viver 200 anos com saúde, mas teria que ficar trancado num quarto sem ver a minha família ou sem poder surfar e ver o mar, por exemplo, isso seria a visão do inferno para mim. A vida mais longa deve ser aquela que a pessoa sinta que valha a pena ser vivida. Alguém aos 35 anos pode ter vivido muitas experiências, mas está longe de saborear todas as etapas que a vida pode oferecer. Não se trata entre escolher entre viver com intensidade até os 35 anos, ou de forma "vegetativa" até os 90. Não, pelo contrário, trata-se de extrair a maior quantidade de vida possível, e para isso é fundamental que se tenha saúde.


      Um abraço

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  6. Soul, mais uma reflexão de extrema qualidade!
    Um dos pontos que mais me atraíram para este blog há alguns anos, foi sua pegada com auto-conhecimento, auto-consciência. Acho que foi um período bem interessante pra sua vida, no meio daquela viagem, vivendo e aprendendo mais sobre si mesmo... de fato a vida não se resume apenas a objetivos financeiros (muito longe disso). Talvez, junto com essa pegada de saúde, você poderia voltar a abordar esses tipos de assuntos. Auto-consciência talvez seja uma busca eterna da vida de todos, não há um fim, é sempre a busca incessante para entender melhor de cada momento da vida (no seu caso atualmente, mais sobre saúde, longevidade, vida com propósito).

    Sua frequência de posts está fazendo falta na blogosfera.

    Ps: Também fiquei curioso quanto a bibliografia do que anda lendo. Pode ser de bastante valia para quem quer se aprofundar mais no assunto.

    Abssss,
    AlemMAR

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    1. Olá, Além Mar.
      O artigo foi mais uma forma de desanuviar a mente. Eu quero me dedicar mais ao blog, torná-lo mais profissional, mas é algo que realmente não tenho devotado tempo. Nos últimos 8-9 dias, não escrevi uma única página do livro, que é o meu foco principal nessa área no primeiro semestre.

      Claro, é uma constante busca, mas também não podemos nos perder nessa busca de "auto-conhecimento" ou "espiritual". A vida está acontecendo agora, não podemos ter o pensamento "quando eu evoluir nesse aspecto, principalmente se eu fizer uma viagem prolongada de auto-conhecimento, aí sim eu posso tratar melhor as pessoas ao meu redor". O exemplo pode ser caricaturado, mas não é tão infrequente que aconteça.
      A busca do "auto-conhecimento" deve ser uma maneira de vivermos melhor com nós mesmos e os outros, não necessariamente uma busca pela busca em si, em minha opinião.

      Agradeço bastante suas mensagens sempre construtivas.

      um abs

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  7. Já disse algumas vezes e volto a repetir, você deve escrever dois livros Soul. Você nem terminou o primeiro, mas torço para se empolgar e escrever o segundo, abordando justamente esse tema de valor inestimável sobre saúde e estilo de vida. Sei que existe muita informação a respeito, mas sinceramente não consigo depositar confiança em várias fontes, seja no Brasil ou no exterior. Existe uma indústria e muitos estão querendo aparecer e tirar proveito. Agradeço muito por compartilhar seu conhecimento e aprendizado, pois, pelo menos da minha parte, valorizo mais a informação quando é publicada aqui do que em outro lugar, simplesmente porque é uma fonte de confiança e elevada credibilidade.

    Creio que para muitos é difícil correlacionar (estilo) vida com as finanças. E mesmo programando nossa mente para operar essa correlação o máximo de tempo possível, volta e meia a vida nos empurra para variáveis com potencial de quebrar a correlação. Manter blindada essa correlação não é tarefa fácil. Enfim, a questão da qualidade do sono e fortalecimento da mente e do sistema imunológico são temas também tem me chamado atenção desde que voltei para ficar na ilha da magia. Dito isto, me desculpando pela longa introdução e, agora, indo direto ao ponto, qual sua opinião sobre:

    (i) medicamento indutor de sono, para conseguir alcançar as necessárias 8 horas com qualidade. Será que é melhor dormir 6 horas sem medicação, correndo o risco de acordar durante o sono, ou dormir boas 8 horas de sono ininterrupto com medicação?
    (ii) suplemento de vitamina D, na impossibilidade de alcançar nível adequado naturalmente pela luz solar. É difícil se expor ao sol no horário e tempo adequado, não se lavar por x minutos após a exposição, para que ocorra a conversão na pele. Além disso, gerenciar a limitação de tempo de exposição ao sol sem protetor parece arriscado e pode criar uma rotina desnecessária (um tempo de lazer exposto ao sol dificilmente duraria somente 30 minutos).

    Por fim, fico feliz com a publicação de um texto após um período de desgaste emocional, sinal de uma boa recuperação em curso. Saúde e paz a toda família.

    Abs!

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    1. Valeu, F.I, obrigado por tão gentis palavras.
      Veja, eu não sou da área, aliás eu não sei quase nada, então não me sinto confortável em dar nenhuma resposta sobre algo que sou extremamente leigo. Porém, tendo em vista a minha "leiguice", eu diria que:
      a) Eu não gosto de remédios. Remédios são essenciais para certas situações, mas a realidade que as pessoas estão se tratando com remédios demais. Nenhum remédio é neutro em seu complexo organismo. O pior é quando as pessoas tentam compensar problemas no estilo de vida com medicação.
      Logo, para pessoas sem nenhum problema, eu não vejo porque tomar medicação para induzir o sono. Na esmagadora maioria das pessoas, a melatonina (hormônio essencial na boa regulação do sono) começa a crescer no organismo a partir das 7 da noite (ou seja um pouco depois do fim da luz solar, e a razão é evolutiva, ora há 100 mil anos atrás, depois que o sol se punha era hora de se preparar para dormir), e chega num período ótimo às 22:00. Portanto, um horário bom para ir dormir é as 22:00. A metalonina tem o seu pico as 2:00 então, e chega a níveis muito baixos lá pelas seis, quando os níveis de cortisol (hormônio do stress) começam aumentar. Esse aumento do cortisol é natural, afinal depois de estar relaxado dormindo, há 100 mil anos atrás com o nascer do sol era hora de pensar no que comer e deixar o organismo pronto para isso.
      Logo, para boa parte das pessoas, o conselho seria vai dormir às 22:00 e acorde às 6:00 com alguma variação entre esses horários a depender da rotina.
      A melatonina é perturbada pela luz, e a explicação é evolucionária também, já que a melatonina é um sinalizador para o organismo que é hora de dormir, pois não há mais claridade. Logo, evite ficar com luzes acesas uma hora antes de dormir, ou coloque luzes muito fracas. Evite luzes de computador e celular antes de dormir. Se acordar as duas da manhã para ir ao banheiro, não acenda a luz do banheiro de jeito nenhum, pois estará desequlibrando a melatonina em seu auge.
      Faça isso, se é que já não o faz, e veja se há melhoras no padrão de sono.

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    2. b) Sobre vitamina D, os meus níveis são baixos, a última vez que medi estavam em 35ng. Para o exame da média das pessoas, está longe de estar baixo, já que está acima do padrão menor de tolerância que é 20ng. Porém, e aqui entra o texto, isso é longe de estar otimizado. A Vitamina D da minha mulher está em 70, por exemplo, e o objetivo dela é 90-100 ng. Logo, é preciso exposição à luz solar, bem como talvez seja interessante a sumplementação, muitas vezes em doses maiores do que o prescrito por alguns médicos.
      A Vitamina D foi inversamente associada a uma série de doenças e câncer. Um autor um pouco mais cético sobre a vitamina D disse que a diferença na incidência de câncer de acordo com a posição das latitudes (há uma diferença na incidência de câncer num mesmo país, por exemplo, quanto mais se distancia do equador, ou seja diminui a incidência de luz e por via de consequência a presença de vitamina D no plasma das pessoas) não se daria pela vitamina D, mas talvez pela microbiota diferente das pessoas. Talvez, vai saber, mas o fato é que há dezenas de estudos mostrando que níveis altos de vitamina D estão associados com menos câncer de todas as causas (tirando melanomas).
      Apenas lembrando que associação não é necessariamente causalidade.
      Logo, uma suplementação de vitamina D parece ser interessante. Eu pretendo fazer suplementação, mas ainda estou no começo do estudo sobre suplementos.

      Abraço

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    3. Só não consegui entender como o seu comentário começou com a expressão "sou extremamente leigo" rs.. Muita modéstia Soul. Inclusive sua explicação está melhor do que a de muitos profissionais "da área". Realmente o ideal seria permitir o corpo produzir melatonina naturalmente, mas voltar para esse hábito é uma meta ambiciosa de médio/longo prazo. Uma solução de curto prazo pode ser a ingestão de melatonina, substituindo um medicamento indutor de sono. Parece que houve muita euforia depois que a Anvisa liberou a venda de suplemento de melatonina, só queria ver mais os médicos falarem sobre a melatonina manipulada no Brasil. Sobre a Vitamina D, apenas por curiosidade, antes de tomar suplemento, a minha chegou em 14 ng no inverno e 30 ng no verão. No inverno quase não vou à praia, mas no verão vou com frequência. Passando a ingerir o suplemento, subiu para 43 ng. O da patroa estava em 15 ng no inverno e 34 ng no verão sem suplemento. Pós suplemento subiu para 44 ng. Nós tomamos 50000 UI, uma vez por semana. Eu não sei se quero chegar a 100 ng, mas com certeza passar de 60 ng.

      Abs!

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    4. Olá, F.I. Pois é, mas leve em conta que é sempre melhor você deixar o seu corpo produzir o que você precisa. A mesma ótica se aplica com alimentos. Se você pode ingerir EPA e DHA (espécies de ácidos graxos Polinsaturados onde a insaturação acontece no terceiro átomo de carbono, também conhecidos como gorduras Ômega 3) em alimentos, é melhor do que suplementar.
      Porém, às vezes é difícil se ingerir DHA e EPA de animais de boa procedência, e como o ALA encontrados em plantas não é facilmente convertido em DHA e EPA faz sentido a suplmentação via cápsulas de óleo de peixe, ou se a pessoa é vegana cápsulas de EPA e DHA extraídas de certas algas.

      A mesma linha de raciocínio eu aplicaria na melatonina. Não se pode ter certeza absoluta o que uma fonte exógena de melatonina (via comprimidos) pode ter no seu corpo a longo prazo.

      Sobre a vitamina D, 15 é extremamente baixo. Fez bem em suplementar. O nível ótimo é acima de 50 ng. Há pessoas que dizem que quanto maior melhor, independente do fator superior, mas eu ainda não estudei sobre isso.
      Um nível de 60-70 é excelente.

      A sua suplementação está enorme. São 200000 UI por mês. A minha companheira toma 60 mil UI por mês. O sol é peça chave, a suplmentação deve ser como o nome diz, uma forma de complementar algo que deve ter uma outra fonte primária.

      Um abs

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  8. Não exatamente relacionado à saúde física, mas bastante ligado à saúde mental, recomendo o livro do Harry Browne “ How I Found Freedom in an Unfree World”.
    Trata dos mais variados assuntos: trabalho, relacionamentos, amizades, dinheiro, governo, sociedade, etc.

    A crítica que se pode fazer ao livro é de seguir uma ótica excessivamente individualista, mas tudo o que ele diz faz muito sentido e merece ser considerado.

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    1. Olá, colega. Grato pela indicação de livro.
      Vou adicionar à lista aqui.
      Antes de tudo nós somos um indivíduo, logo o individualismo faz sentido. Porém, para além disso, nos relacionamos com a natureza, com outros organismos e não creio que apenas o individualismo ou a liberdade dão conta de apreender toda essa complexidade.
      Porém, imagino que deva ser uma abordagem interessante.

      Um abs

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  9. Seria bom compartilhar a forma de se alimentar e a maneira que cuida da sua saúde aqui no blog para que a gente pudesse se espelhar. Eu confesso que me alimento mal(não consigo resistir as tentações) e que não faço exercícios físicos intensos. Eu sei que estou errando, mas é algo extremamente difícil de mudar em mim.
    Abraço

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    1. Olá, colega. Eu ainda estou aprendendo, na fase inicial. Devo muito a minha companheira por instilar aos poucos a vontade de se aprofundar no tema. Mais ainda devo a ela as maravilhosas comidas que ela faz. Um dia comendo um prato cheio de verduras orgânicas, um frango delicioso que ela fez com mostarda, mais um pesto feito por ela junto com Humus também feito por ela e de sobremesa um doce de banana com pasta de amendoim (feito por ela) e cacau (o doce fica uma delícia, parece sorvete e não há adição de açúcar, o único açúcar é a frutose da própria banana), só pude agradecer a sorte de poder comer uma comida tão deliciosa, saudável e nutritiva. Se eu fosse solteiro, talvez meus hábitos alimentares estivessem bem piores.

      Dito isso, é preciso dizer que a área de nutrição médica talvez seja a mais polêmica das áreas de saúde. Quanto mais me aprofundo, mas complicado e contraditório vai ficando. Porém, apesar disso, mesmo as diversas linhas de pensamento concordam em alguns pontos essenciais, e eliminando alguns alimentos e acrescentando outros, a qualidade da alimentação dá um salto.

      Quando me sentir mais confiante, irei escrever sobre o tema.

      Abs

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  10. Soul, os marombeiros sempre souberam comer de 3 em 3 horas, controlando a quantidade de carboidratos e proteínas.

    Essa preocupação com a saúde é muito boa, impede que no futuro tenhamos de pagar por má alimentação hoje.

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    1. Olá, colega. Comer em três e três horas para saúde é apenas um mito. Na verdade, tirando algumas condições específicas de saúde, é até mesmo deletério.
      Para hipertrofia, eu ainda não estudei mais a fundo sobre a necessidade uma alimentação em períodos menores de tempo. Talvez faça sentido, pois você precisa daí ter superávit metabólico, ou seja, ingerir mais calorias do que consome, e comer em três em três horas é muito mais fácil para isso.
      Agora pessoas que querem perder peso o conselho de comer em três e três horas é inútil, e pode até mesmo levar a ganho de peso, pois quando se come mais vezes é muito mais provável comer mais do que se precisa.

      Abs

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  11. Compartilhe seus aprendizados nessa área, por favor.

    Abraço
    Eduardo

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    1. Vou tentar ir compartilhando aos poucos minhas impressões, sim.
      Abs

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  12. Percebo uma mudança no escopo dos seus textos que, pela minha ótica, possuiam um viés mais voltados para preocupações sociológicas e filosóficas de aspecto coletivo e se tornaram mais voltados para um prisma atomístico (no sentido de se voltar para o indivíduo).
    De todo modo, a qualidade de seus textos é rara na blogosfera nacional.

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    1. Olá, colega. Hum, não sei se concordo necessariamente. Agora textos mais sobre atualidades, principalmente de caráter político, eu realmente não sei se tenho mais tanto interesse.
      Uma, não acrescenta nada na vida de ninguém. Duas, eu acho que a polarização aumenta a cada dia, para quê se imiscuir nisso? Três, há um bombardeio disso todos os dias, mesmo que você evite meios de comunicação.

      Agradeço o seu elogio.

      Um abs

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  13. "Se você não faz a mínima ideia sobre o que está comendo, como está dormindo, se tem dores pelo corpo, e sua preocupação maior é com a rentabilidade dos seus investimentos, ou sobre o que um determinado político faz ou deixa de fazer, eu creio que há uma grande probabilidade de você estar completamente perdido em suas prioridades de vida."

    Rapaz, que soco! Obrigado por compartilhar mais este excelente texto, soul!

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    1. Olá, concursado.
      Valeu, colega, espero que a reflexão possa te ajudar a fazer as suas próprias reflexões.
      Um abs

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  14. Olá Soul, ótimo texto. Em resumo o que vc quer dizer é que sempre devemos buscar o equilíbrio na diversas esferas da vida, ou seja, sem optar por extremos, que sempre acabam por desequilibrar o emocional e cobrar seu preço no futuro.

    Apenas duas observações no seu texto:

    “A saúde e a doença são condicionadas por fatores genéticos e ambientais"

    Acrescentaria aí também fatores psicológicos. Existem muitas doenças que são desenvolvidas por fatores emocionais desequilibrados. A depressão é um exemplo de doença psíquica.

    “nos últimos 10-15 anos uma enxurrada de estudos científicos estão mostrando que a saúde e a diversidade das bactérias e vírus que habitam os mais variados órgãos do nosso corpo (o que se dá o nome de microbiota) são essenciais para a saúde humana. Casos de depressão, autismo, as mais variadas doenças auto-imunes estão associadas com a disbiose (ou seja o adoecimento e perda da diversidade das bactérias do nosso corpo) de nossa microbiota"

    Essa teoria é polêmica. Esses estudos, por serem bem recentes, ainda carecem de validação. Particularmente não acredito que alguém entra em depressão ou se torna esquizofrênico (opinião de leigo no assunto) por causa de uma bactéria ou a falta dela. A bactéria presente no corpo humano ou um vírus qualquer não é considerado um fator de risco quando um médico faz as clássicas perguntas investigativas: vícios e vida desregrada? Estresse crônico? Separação conjugal?ansiedade crônica?histórico familiar? Ou seja, fatores ligados a problemas emocionais e hereditários são muito mais relevantes do que uma mera bactéria, que pode até influenciar, mas com peso bem menor que o listado nos fatores de risco.

    Abraços.

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    1. Olá, Hank.
      É por isso que sou fascinado pela ciência e pela eterna curiosidade. É por isso que se um dia for pai, vou querer ao máximo estimular a curiosidade do meu filho. Se ele vier com vários "Por quê?" vou ter que estar preparado para responder, ou dizer que não sei e tentar descobrir junto com ele.

      Tirando essa pequena digressão à parte, eu não sei qual é o seu entendimento sobre microbiota. As bactérias (é a maioria, mas também há vírus e um outro tipo de domínio de vida chamado Archaea) existem numa proporção de dez para um em relação às suas células humanas. Na verdade, você é mais bactéria do que humano. Você não é uma única espécie, você é uma congregação de espécies. Existem milhares de espécies diferentes em nossa microbiota e apenas agora os cientistas estão começando a entender os fundamentos disso tudo. Para você ter ideia, há algo em torno de 20 mil genes humanos, e algo em torno de 3-4 milhões de genes da nossa microbiota, e muitos cientistas acreditam que é por isso que somos tão especiais. Um verme possui mais genes do que seres humanos, logo a quantidade de genes humanos é relativamente pequena, e isso intrigou muito os cientistas quando no final do projeto do sequenciamento do nosso Genoma há uns 15-17 anos. Muitos cientistas acreditavam que nossa complexidade derivaria de um número maior de genes.

      Logo, nós abrigamos uma complexa rede de seres vivos, que evoluíram junto com o nosso DNA. A nossa microbiota, e os seus milhões de genes, evoluiu com o nosso próprio DNA humano. Logo, a complexidade ganhou e muito de tamanho.

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    2. É muito interessante refletir como o nosso sistema imunológico diferencia uma bactéria benigna de uma bactéria exógena maligna. Isso está começando a ser entendido pela ciência. E eu imagino como não deve ser fascinante para os cientistas que estão trabalhando com isso.

      Eu não sei o que você se refere como validação. Em 2006, houve um célebre experimento onde duas variedades de ratos de laboratório criadas para ter comportamentos sociais muito diferentes foram submetidas a um experimento interessante. A espécia A conhecida por ser tímida e introvertida e a espécie B conhecida pelo seu extrovertimento. Quando colocados numa plataforma acima do chão, os ratos da espécie A demoravam X tempo para saltar. Os ratos da espécie B demoravam muito menos tempo. Os cientistas então transportaram a microbiota de ratos da espécie B para alguns ratos da espécie A (por meio de transposição de fezes, sim injetaram fezes de B em A) e um "milagre" aconteceu. Os ratos da espécia A que tiveram a microbiota implantada começaram a pular da plataforma em tempo muito menor, ou seja o transplante da microbiota fez com que os ratos mudassem a sua personalidade e não continuasse inibidos. Isso foi fantástico e uma revolução no campo.
      Em ratos, linhagens obesas emagrecem quando são implanatados microbiotas de ratos de linhagem magra, mesmo que as calorias ingeridas sejam mantidas as mesmas.

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    3. Em humanos, os estudos avançam. Porém, é muito provável que a microbiota seja um dos componentes chaves da nossa saúde como um todo. Até mesmo pessoas com uma microbiota menos diversa e com problemas, podem ter mais tendência à obesidade. É bem conhecido um caso de uma criança que se tornou autista depois de um tratamento forte com antibióticos para uma suposta infecção no ouvido. O caso dessa criança é bem emocionante, pois foi a mãe dela (que era uma programadora de computador) que veio com essa hipótese "doida" e depois de anos, cientistas renomados resolveram investigar e deram muitos créditos a ela.

      Sobre a sua afirmação de que os nossos comportamentos não são afetados por simples bactérias, ela é não verdadeira. Há diversos casos que agentes infecciosos causam transformações comportamentais em homens e outros animais. Há uma bactéria que faz com que ratos se sintam atraídos pela urina de felinos. Ou seja, leva a um comportamento suicida. A toxosplamose pode ter efeitos comportamentais em homens.
      Como a nossa microbiota se relaciona com a saúde mental é um tópico que está apenas no começo, e nos próximos anos com certeza muitas coisas interessantes virão à tona.

      Eu sei, esse é o que eu chamo o terceiro golpe da ciência contra o ego humano. Escrevi um artigo com esse nome em 2014, um dos primeiros artigos do blog. Na época, falava sobre o cérebro, e o questionamento de livre-arbítrio, liberdade, etc. Na época nem imaginava que quatro anos depois estaria escrevendo sobre microbiota. É difícil mesmo, pois nossa moralidade, cultura, valores, baseiam-se na noção de que o individuo tenha controle absoluto sobre sua "psicologia".
      Porém, se paramos para pensar, ninguém diz para o diabético Tipo 1 (que nada mais é do que uma doença auto-imune onde o corpo da própria pessoa começa a atacar as células B do pâncreas que produzem insulina) é responsável pela sua doença. Porém, quando se trata de distúrbio no cérebro ou emocionais, se vira alguma chave cognitiva, e qualquer explicação que esteja fora do controle do indivíduo é tida como não-válida.

      Num diabético tipo 1, se injeta insulina para ajudar os níveis de glicemia. Em pessoas com depressão, se manda sentar e conversar sobre os seus problemas com um especialista. Talvez apenas essa abordagem não seja suficiente para todos os casos.

      Um abraço

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    4. Soul,

      Validação ou verificabilidade é uma das características do método científico cuja definição é: As afirmações (hipóteses) que não podem ser comprovadas não pertecem ao âmbito da ciência. Sugiro a leitura do ótimo livro: fundamentos da metodologia científica, Marina de Andrade Marconi, ed. Atlas.

      Sem o pensamento crítico da metodologia científica tudo fica fascinante e incrivelmente misterioso! Eu quando tinha 17 anos e estudava física também fica fascinado como nós somos constituídos por átomos (assim como vc está fascinado por sermos composto de bactérias, rs). Sabia que nós somos mais espaços vazios do que possuímos massa ? Procure saber a constituição dos átomos e vai descobrir o porquê.

      Não disse (não afirmei) que nossos comportamentos não são afetados por bactérias. Quem sou eu pra afirmar alguma coisa com tanta certeza?! Eu disse que fatores ligados a problemas emocionais ou hereditários são mais relevantes (maior peso) no caso específico de depressão e esquizofrenia. Não citei outras doenças até pq desconheço e sou ignorante nessa área. Vc mesmo disse que a toxoplasmose “pode” ter efeitos emocionais e não necessariamente “deve” ter tais efeitos. Oras, até um remédio placebo pode ter efeitos emocionais, basta o paciente acreditar (mais uma vez, emocionais). Vc está tirando o foco e a importância de problemas emocionais dos seres humanos e transferindo a responsabilidade para vírus e bactéria (mais uma vez, podem sim ter tais efeitos mas em menor peso).

      Já pensou que tipo de conclusao podemos chegar dessa lógica ? Meu filho usou drogas a vida toda, mas acho que se tornou esquizofrênico pq adquiriu uma bactéria! Minha ex mulher entrou em depressão pq nos separamos mas ela vai se tratar com um antivírus!

      Já reparou como pesquisas da área médica são, às vezes, contraditórias? Muitas vezes atendendo a objetivos obscuros e de interesse da indústria multibilionária farmacêutica. Ratos são utilizados por questões econômicas e práticas mas ainda carecem de testes em humanos para validar as hipóteses levantadas.

      Adoro discutir ideias mas aqui ficamos limitados, não acha :)

      Valeu soul! Sinto falta de vc escrevendo sobre investimentos em fundos imobiliários!

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    5. Olá, Hank.
      Ah, você está falando sobre o método científico. Sim, estou familiarizado como funciona o básico da metodologia científica. É que quando você disse que a “teoria” não tinha sido validada, eu não entendi muito bem o que você quis dizer. Qual teoria? A que a microbiota afeta a saúde do corpo? A que disbiose pode estar associada com doenças psicológicas? Por isso a minha pergunta. O ponto para se pesquisar sobre qualquer assunto em saúde é o Pubmed. Basta digitar microbiota e você irá ver centenas de pesquisas sobre os mais variados temas.

      b) Sim, Hank, os átomos são grandes estruturas vazias com um núcleo extremamente pequeno rodeado de orbitais enormes onde os elétrons aparecem e desaparecem. É extremamente interessante mesmo.

      c) É possível que seja. É possível que problemas hereditários sejam influenciados pela microbiota. O primeiro contato que a criança tem com bactérias é quando nasce e passa pelo canal vaginal da mãe. Ela é colonizada pela microbiota da própria mãe. Esse é um processo crucial, e um dos motivos pelos quais, a não ser em casos de extrema necessidade, o parto não seja via cesariana. Isso é relativamente bem documentado na literatura.

      d) Colega, podemos tratar o conceito de causalidade de uma forma bem abstrata ou não. Numa discussão mais mundana, geralmente em estudos de saúde o que se consegue são associações. É por isso que se descobriu que o fumo poderia causar câncer de pulmão. Se viu isso, pois o fumo estava associado com câncer de pulmão. Associação não é necessariamente causalidade. O aumento do número de ataques de tubarão na Australia se associa a quase perfeição com o aumento do consumo de sorvetes. Não se pode dizer que o fato de uma pessoa tomar sorvete causa o ataque de tubarão. Isso acontece muitas vezes em pesquisas de saúde. A única maneira de se testar uma hipótese é por meio de estudos clínicos ramdomizados (ou seja aleatórios para que os grupos estudados sejam estatisticamente indistinguíveis) e duplo cegos (para evitar o efeito psicológico do placebo). Apenas assim é possível isolar uma variável e testar uma hipótese. Isso nunca foi feito com o cigarro, por exemplo. Nunca se fez um ensaio clínico para saber se o cigarro causava o câncer de pulmão. Por que não se fez? Primeiramente, porque seria antitético. E em segundo lugar, por que o HR (Harzard Risk) era de algo em torno de 30. Ou seja, quem fumava aumentava a chance 30 vezes de contrair câncer de pulmão. Além do mais, a reação era linear e dose dependente. Geralmente, se usa os critérios de Bradford-Hill ( https://en.wikipedia.org/wiki/Bradford_Hill_criteria) para saber se uma associação pode ser uma causa, sem que haja um ensaio clínico ramdomizado.

      e) Logo, temos que ter cuidados com a palavra causa. Eu vi que escrevi isso, mas eu deveria ter sido mais correto e preciso e ter escrito estão associados. Você tem razão, colega, esse blog é uma coleção de centenas de artigos sobre como as coisas são mais complicadas do que às vezes pensamos ter ou o que normalmente é retratado. Não tenho dúvidas de que fatores hereditários, sociais, culturais, emocionais, ambientais, tem um peso enorme em doenças comportamentais. Se você realmente se interessa pelo tema numa perspectiva mais ampla, sugiro que conheça Andrew Solomon. O livro “O demônio do meio dia” ele trata sobre a própria depressão de uma maneira densa, profunda e multifatorial. Ou você pode ver as palestras dele no Ted Talks, elas são incríveis. Logo, estou ciente disso. Porém, é fantástico saber que a nossa microbiota pode estar associada também a problemas de doenças psicológicas, pois se não temos controle sobre nosso DNA, temos um controle muito maior sobre a saúde da nossa microbiota.

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    6. e) Sim, colega, eu sei que é difícil. Mas quando novos conceitos científicos chegam, eles são assim mesmo, revolucionários. Acho que talvez você tenha me compreendido mal. Em nenhum momento disse que isso seria o único fator, disse apenas que poderia ser mais um fator e talvez poderoso, o que pontuei é que a complexidade de entendimento e as inúmeras interações cresceram de tamanho. Por exemplo, quando vi que havia pesquisas que associavam obesidade a um vírus, eu achei que era piada, afinal todos sabem que obesidade é uma doença associada única e exclusivamente, talvez com algum pequeno competente genético, a estilo de vida. Qual não foi a minha surpresa, quando eu comecei a ler alguns estudos a respeito dessa questão, e de que em modelos animais, não só em ratos mas também em macacos, em animais sadios infectados por um determinado vírus se tornavam obesos em comparação a um grupo de controle, mesmo com dietas isocalóricas (ou seja com a mesma quantidade de calorias). Ora, quem sabe isso não pode ser mais uma explicação do que esteja acontecendo com a epidemia de obesidade. Se lhe interessar o assunto, pesquise Adv-36 (aqui há revisão científica sobre o tema: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4517116/)

      f) Sim, meu caro, há muitos interesses, há muitos conflitos, e também há muita complexidade. Certas coisas jamais serão validadas em humanos. Nenhum comitê de ética médica, a não ser talvez em países como Arábia Saudita ou Coréia do Norte, iria permitir que se pegasse humanos magros e saudáveis e se infectasse uma grupo com o Adv-36 e o outro grupo controle não fosse infectado, e se controlaria em períodos de 6 - 12 e 24 meses com dietas isocalóricas para saber se o Adv-36 realmente causa obesidade. Não se pode fazer isso. É por isso que cientistas nesses casos buscam formas indiretas. Num estudo, achou-se que em obesos (BMI acima de 35) havia a presença de um antígeno para o Adv-36, dando a entender que a pessoa já em alguma etapa da vida teria sido infectada. Achou-se antígenos em 30% dos obesos, e em apenas 10% de magros, o que mostra que há uma associação entre a presença de antígenos para o Adv-36 e a obesidade. Isso não provou a revolucionária teoria de a obesidade pode ter como uma causa independente uma origem viral, mas é um indicativo que torna a hipótese mais robusta para mais pesquisas.


      Pois é, vai ser difícil eu voltar a escrever sobre fundos imobiliários.

      Agradeço enormemente a interessante conversa.

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  15. Grande Soul!

    Ficou faltando vc colocar aqui a lista dos livros e podcasts que leu e escutou pra gente ler também!

    Conheço mt médico com saúde física, mental e familiar abalada por causa da profissão, carga horária, noites ausentes de casa, finais de semana também, enfim, é triste, ser refém do dinheiro, trabalhar pra caramba em prol de uma família que reclama que você trabalha pra caramba.

    Estou numa fase muito acelerada da minha vida, nao tenho tempo nem mesmo pra ir numa academia, 3x por semana, MAS isso é temporário, pelo menos até a metade do ano que vem.

    Temos que aproveitar o poder e a beleza da juventude pra quebrar nosso corpo ganhando dinheiro. kkkkkkk brincadeira.

    Abraço!

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    1. Valeu, frugal, vou colocar.
      Eu imagino. Um cirurgião que acaba uma cirurgia às 23:00 e às 23:30 tem que entrar em outra. Nossa, deve ser difícil, mas deve ser muito recompensador também.

      Claro, em 18 meses o seu negócio estará muito mais estável e maturado, aí é hora de refletir o que fazer a seguir, estamos todos na blogosfera torcendo.

      heheh, é mesmo Frugal, e quando tivermos dinheiro, podemos aproveitar bem os programas de viagem de outras pessoas pelo mundo, sentados numa poltrona de 20 mil reais, vendo numa televisão de 12345 polegadas que custou 60 mil reais, com um sistema de som igual a cinemas que custou 97 mil reais, controlando a nossa glicemia para saber se é hora de injetar mais insulina já que nosso corpo se tornou insensível à insulina e nos tornamos diabéticos tipo II.

      Aquele abraço meu amigo!

      obs: obrigado mais uma vez pela ajuda. Eu faço questão de pegar um avião, e te pagar um almoço meu amigo.

      Abs!

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  16. Opa, tambem tenho interesse que voce compartilhe um passo a passo dos conhecimentos basicos que temos que ter para se desenvolver nessa area. To ainda engatinhando se puder dar uma ajudinha compartilhando as informacoes relevantes ja ajuda bastante. Valeu =D

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    1. Olá, Ugo e Ana. Vou fazer um artigo sim, espero que possa ser de valia para outras pessoas.
      Um abs

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  17. Soul, como sempre muito boas suas reflexões aqui. Obrigado por sempre nos presentear. Te conheci no blog do Tetzner e acompanho aqui desde lá. Tenho tentado refletir mais sobre o tema, comecei lendo uns livros mais básicos, tipo o do prof. Clóvis que até fiz uma resenha lá no meu blog. Também tenho tentado levar uma vida mais equilibrada. Atividade física, menos refri e cerveja para deixar o corpo mais leve. Leitura e reflexão para a mente. Viagens e mais tempo dedicado à família. E carteira de investimentos um pouco no automático para alimentar o bolso.

    Abraço

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    1. Olá, Sequoia!
      Sabia que um dos maiores fundos de investimento em empresas Startup, ou venture capital do mundo, chama-se Sequoia? Interessante o nome. Desde o tetzner? Uau, faz tempo então, fico honrado e lisonjeado.
      Você está indo muito bem se está fazendo isso. Eu apenas trocaria para nenhum refrigerante e menos cerveja. Uma das primeiras "leis" da nutrição é não beba carboidratos simples. A cerveja também entra nessa, mas eu sei que muitas pessoas apreciam uma cervejinha, então moderação talvez cause efeitos melhores na vida como um todo. Agora, refrigerante, evite de consumir.

      Um abraço!

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    2. Soul, descobri somente depois que criei o blog. É enorme esse fundo, investiu em empresas como Apple, Google e outras das mais famosas. Especialmente de tecnologia. Mas o porque eu chamei de Sequoia está descrito aqui: http://sequoiainvestments.blogspot.com.br/2017/02/por-que-sequoia.html

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  18. Belo texto! Muita sabedoria. Continue nos presenteando com suas reflexões.

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    1. Olá Moisés.
      Grato pelas palavras.
      Um abs!

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  19. Olá, parabéns pelo site!
    Também me interesso por investimentos, principalmente sobre fundos imobiliários. Por isso criei um site para falar sobre fundos imobiliários, se puder dar uma passada nele depois!

    https://palafiita.wordpress.com

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    1. Olá, colega.
      Desejo sorte para este seu novo projeto.
      Abs

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