quarta-feira, 3 de junho de 2015

O DINHEIRO PODE APRISIONAR?

   Olá, colegas! Vixe, tanta coisa para escrever que realmente não sei sobre o que será esse artigo. Iria escrever sobre a trilha mais fenomenal que já fiz na vida, mas lembro que já se foram mais de 10 dias desde então, e tanta coisa maneira aconteceu. Nos últimos dias, fiquei sem qualquer contato com o mundo, e foi muito bacana. Estou escrevendo de dentro da Campervan numa noite chuvosa, pois dei sorte de estar num camper park  do lado de uma biblioteca pública. Aqui em Aotearoa é muito comum as cidades terem acesso de wi-fi gratuito nas bibliotecas. Aliás, é impressionante, pois cidades muito pequenas com 2 ou 3 mil habitantes possuem bibliotecas públicas muito bem estruturadas. A biblioteca da capital do país é fantástica, parece um shopping com vários andares e inúmeras opções de livros, Dvds, teatro, etc. Infelizmente, no nosso país as bibliotecas não são tão espalhadas e incentivadas. O que é uma pena e mostra um pouco da nossa falta de desenvolvimento humano. Porém, não irei escrever sobre diferenças entre países nesse artigo.

Soulsurfer e companheira flutuando na Cathedral Cove

   Ao terminar o primeiro parágrafo, veio à minha cabeça um tema interessante. Na minha última postagem, o colega Corey falou algo que parece muito natural e tido como verdadeiro por quase todos: quando se tem um certo patrimônio, há uma preocupação maior em mantê-lo. Afinal, essa é uma atitude correta? À primeira vista, parece evidente que a preocupação de se manter um capital acumulado prévio é maior de quem mais tem poupança acumulada, do que alguém que não tem. Ora, se uma pessoa deu duro por diversos anos e hoje tem um certo patrimônio, é claro que essa pessoa irá querer ao menos manter o poder de compra do seu patrimônio. Eu concordo, mas aqui quero falar de uma outra faceta do dinheiro que não é muito comentada: a possibilidade do dinheiro nos tirar a liberdade.

  "Como assim Soul?" alguém pode ter pensando. O dinheiro não serve exatamente para nos fornecer liberdade? Não é por isso que as pessoas acalentam o sonho de ser independente financeiramente?  Sim, o dinheiro pode nos oferecer mais liberdade, principalmente em relação a atividades ou situações  com as quais não gostamos.  Porém, o dinheiro pode ter o efeito oposto, fazendo com que nossa liberdade seja diminuída e nossos relações humanas pioradas. Explico-me.

  Eu gosto muito de filmes, e qualquer dia desses pretendo escrever sobre filmes que acho interessantes. Um deles é "Into The Wild" (Na Natureza Selvagem). O filme é sensacional por vários motivos, sendo a trilha sonora um dos principais deles, mas aqui atenho-me apenas a um aspecto do mesmo. O protagonista é um jovem recém-formado. Ele resolve, sem avisar a ninguém, doar todo o seu dinheiro (uns vinte e pouco mil dólares) doar para uma organização humanitária chamada Oxfam e viajar a América com o seu carro velho (a cena dele recusando um carro novo oferecido pelos seus pais e dizendo que eles só se importavam com "things, things, things" é muito boa também). Numa certa parte do filme, o protagonista resolve queimar o pouco dinheiro que ele possuía e resolve viajar pedindo carona e realizando trabalhos nos lugares por onde passa.  Numa outra cena bem bacana, inclusive com uma citação extraordinária de Thoreau, o jovem responde a um casal de "Hippies" (não gosto muito dessa forma de categorizar as pessoas) que queimou o dinheiro, pois o mesmo torna as pessoas mais cautelosas, e, via de consequência, as relações humanas mais pobres.

  Isso é uma afirmação forte e com uma grande dose, em minha opinião, de verdade. Num exemplo extremo, temos alguém com muito dinheiro mesmo que não sabe se as relações de amizade e amor são verdadeiras ou não. Como a pessoa não pode saber, talvez a forma de interagir com outros seres humanos não possa atingir a sua completude. Recentemente, li um artigo no blog pequeno investidor de uma carta de uma jovem recém-milionária queixando-se expressamente desse fato. No caso de uma pessoa com centenas de milhões de reais isso é fácil de perceber, ou de se refletir a respeito. Porém, no caso de pessoas mais comuns, será que é tão nítida essa faceta do dinheiro?

  Ao encontrar tantas pessoas diferentes nessa viagem, eu me peguei refletindo algumas vezes sobre esse aspecto do dinheiro. Eu encontrei os americanos que compartilharam a minha experiência com Bungy 40 dias depois numa cidade que é o paraíso para quem pega onda. Dessa vez, o encontro não foi tão fugaz e passamos vários dias juntos fazendo diversas coisas (pegar onda numa praia deserta e selvagem, depois  da sessão de surf ir nadando até pedras com milhares de mariscos e cozinhar a comida na praia mesmo, foi uma dentre várias experiências fantásticas). Um deles, o Nick, tinha uma passagem comprada para FIJI e não tinha dinheiro para sair do país. Ele iria tentar achar emprego num barco para poder viajar de FIJI para Austrália, trocando o trabalho por hospedagem e comida no barco. Mesmo sem ter dinheiro, ou não tanto dinheiro para os padrões de um americano (não, eu não esqueci que metade da população humana vive com menos de dois dólares por um dia, sempre reflito sobre isso quando penso que alguma coisa está "difícil" na minha vida), é inegável que ele está gozando de uma grande liberdade, não está deixando que eventuais temores o afaste de buscar aquilo que o possa fazer mais satisfeito com a sua vida. Nós conversamos bastante sobre isso. Ele poderia facilmente ter seguido a vida de uma maneira mais tradicional, poderia estar agora com mais bens, mas se assim o fosse ele provavelmente estaria muito mais cauteloso e com medo de perseguir os seus reais objetivos.

Nick pegando nossa comida depois de uma sessão de surfe numa praia irada, selvagem e deserta. Não há almoço grátis mesmo? :P Experiência fantástica que irei lembrar por muitos e muitos anos.

  Olhe a sua volta, e principalmente para si mesmo, e reflita se o dinheiro não pode muitas vezes ser um empecilho. Quanto mais a pessoa vai possuindo, parece que com mais medo vai ficando de tomar algumas decisões. Sempre haverá algum motivo relacionado à alguma situação material (imóvel, emprego, estabilidade, etc) para muitas vezes justificar a não realização de algum ato ou atividade nova que pode trazer riscos para a manutenção da situação atual, mas que pode ter um significado humano muito grande para a pessoa.

  "Ok, Soul, estou indo no banco tirar o meu dinheiro e a fogueira vai ser grande lá em casa!" :) Colegas, antes de fazer fogueira com o dinheiro, seria melhor, como o protagonista do filme, fazer uma doação para uma organização como o Médico Sem Fronteiras.  Soul, quero manter o que eu arduamente conquistei. Eu também, colega. Não há nenhum mal nisso, pelo contrário, pois o dinheiro por outro lado pode sim nos trazer muita liberdade. O que talvez precisamos, e como o meu Pai sempre tentou me passar quando criança e adolescente, é ter uma relação saudável com o patrimônio acumulado. Não podemos deixar (em certa medida infelizmente isso é inevitável) que o dinheiro nos deixe cautelosos demais a ponto de desistirmos de alguns objetivos, pois o receio de alguma perda patrimonial possa estar presente. Acima de tudo, não podemos deixar que o dinheiro enfraqueça nossas relações humanas. Eu cada vez mais me convenço, na verdade já estou convencido, que a nossa satisfação enquanto ser humano é mais facilmente atingida quando compartilhamos com outros seres humanos momentos, experiências e porque não coisas materiais. Aliás, essa é a conclusão que o protagonista do filme "Into The Wild" chega ao final do filme ao refletir sobre a vida num abrigo isolado no Alasca: a vida e a felicidade só valem a pena quando compartilhadas. Infelizmente, ele descobriu isso tarde demais, mas não deixa de ser uma mensagem bonita. Eu concordo plenamente. Quando compartilhamos com outros seres humanos (e essa é uma das razões de eu continuar escrevendo nesse blog, mesmo com eventuais contratempos), nossa vida fica mais colorida e significativa.

  Assim, caros leitores e colegas, abortem a fogueira, mas não deixe que o dinheiro se transforme de um instrumento em uma espécie de prisão.

  Não resisti e resolvi colocar algumas imagens da sensacional trilha Tongariro Alpine Crossing. Provavelmente, escreverei um artigo apenas sobre esse dia especial. Demos muita sorte, pois além de ser um dia lindíssimo, ter pouquíssimas pessoas na trilha de quase 20Km, ainda compartilhamos essa experiência com diversas pessoas interessantes no decorrer da trilha. Para quem gosta do filme, esse foi o local onde as cenas de Mordor foram filmadas no antológico Senhor dos Anéis. Fazer essa trilha em Mordor foi outra experiência sensacional.

 Lago azul cristalino, vulcão, geiser....
Beleza extraordinária, ao fundo o Mount Doom residência de Sauron (é um vulcão bem ativo)
 A aridez de Mordor (Tongariro Alpine Crossing)
 Já andei muito por esse mundão. Adoro fazer trilhas puxadas de um ou vários dias. Ver uma paisagem como essa com uma simples "olhada" é algo que nunca vi no mundo. Gelo, deserto, vulcões, montanhas com pico nevado, lagoas verdes, azuis, cratera vermelha de um vulcão colapsado, gêiser, zona ativa de vulcões, e ainda por cima é Mordor....Difícil bater essa trilha como melhor day hike do mundo.
 Soulsurfer contemplando a beleza das lagoas esmeraldas com um gêiser ao fundo.


Grande abraço a todos!


38 comentários:

  1. "Eu não sei muito sobre o mar, mas eu sei que o caminho é por aqui. E também sei o quanto é importante na vida... não necessariamente ser forte, mas se sentir forte, se avaliar uma vez na vida, se encontrar pelo menos uma vez na mais antiga condição humana, encarando a cegueira, ficando surdo... com nada pra te ajudar além de suas mãos e sua própria cabeça."

    Muito inspirador seus textos e energia nas palavras. Praticamente o combustível da busca que, com muita disciplina, terá um fim feliz e não muito distante (ao invés da roda infinita do rat race). Forte abraço. Chaps

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    1. Olá, Renato.
      Grato pelas palavras, gostei bastante também da citação.
      Abraço!

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  2. Soul:

    Obrigado por me citar. Já te disse algumas vezes e vou repetir: somo muito diferentes e ao mesmo tempo estamos sempre na mesma sintonia. Muito legal isso!

    Esse seu post foi sem dúvida o melhor que vc já escreveu, não tiro nem acrescento mais nada no que vc disse.

    Acredito sim que o dinheiro possa prejudicar a liberdade de uma pessoa, aliás, estou sentindo isso comigo mesmo no atual momento. Veja quantas pessoas, que possuem nada a não ser a coragem, arriscam tudo e vão tentar a vida em outro país?! Pra quem olha de fora parece loucura, mas não é. A pessoa apenas não tem uma bigorna de dinheiro amarrada aos pés.

    Esse filme que vc citou nos leva ao minimalismo que no meu modo de ver é a maneira mais inteligente de se viver. O minimalismo traz segurança mas ao mesmo tempo nos deixa mais livres. É assim que procuro viver, tendo menos coisas, mais experiências de vida...

    Sem dúvidas as pessoas simples mortais como nós não percebem essa faceta de controle que o dinheiro nos impõe. A gente tende a pensar que não temos tanto dinheiro assim e que não enfrentaremos problemas para lidar com essa grana assim como jogadores de futebol, por exemplo; mas na realidade somos sim controlados por nossas "pequenas fortunas".

    Cautela demais, controle demais, conforto demais são coisas que atrapalham nossas vidas e quanto mais velhos e com mais dinheiro, ficamos mais cagões e arriscamos menos. Tiro o chapéu pra pessoas que não estão nem aí e metem as caras e conquistam seus objetivos. Pode reparar, na maioira das vezes essas pessoas que fazem "loucuras" obtem alto índice de sucesso (não necessariamente financeiro).

    Felizmente vc teve um pai que te ensinou esse controle desde cedo. A maioria (inclusive eu) não teve isso e tem que aprender na raça depois de adulto, sendo que grande parte desses jamais aprendem, envelhecem ricos e infelizes.

    Particularmente tenho muito mais medo de perder vida, no sentido de viver de maneira agradável, do que perder patrimônio.

    Essas suas fotos são demais, arrisco dizer que não foram tiradas nesse planeta, rsrs!

    Grande abraço!

    Corey

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    1. Olá, Corey.
      Claro, colega. Ambos queremos ter vidas significativas, isso nos faz estar em sintonia. Se você vai conseguir isso num outro país emigrando, e eu talvez de outra maneira, isso é apenas o que diferencia um ser humano do outro.

      Eu vi o que você escreveu sobre certos "luxos". O meu luxo é comer fora, principalmente comida japonesa:) Um carro com certo conforto, uma casa confortável (que não precisa ser grande) e a chance de pegar boas ondas. Logo, o que eu preciso é muito se comparado talvez a muitas pessoas que nada tem, mas está longe de ser muito com o que muitas pessoas sonham.

      O meu pai sempre me disse que tínhamos ter sabedoria para lidar com o dinheiro. É a mais pura verdade. Ele pode ser um instrumento poderoso tanto para a nossa liberdade, como pode ser realmente "uma bigorna".

      Quando morei um tempo na Califórnia, eu morei na casa de uma médica. Aluguei um quarto. A casa deveria ter uns 45m2, bem simples. Porém, era muito bacana. Fiquei meses sem ver TV, final de tarde ficava conversando com ela numa sala pequena, mas muito aconchegante. Apesar de ser estrangeiro fiz amizade com vizinhos e a vida era muito boa mesmo. Isso me abriu ainda mais os olhos de como a satisfação da vida reside em outras coisas e não no acúmulo desnecessário de bens de consumo.

      Sim, concordo. E foi por isso que escrevi o meu penúltimo artigo. Uma certa dose de desprendimento, de risco, é necessária para termos vidas mais significativas.
      Também concordo. Isso ainda é uma batalha que tenho dentro de mim às vezes. Porém, com certeza o risco de vivermos uma vida bem abaixo do nosso potencial, ou pior ainda amargurado por não ter tomado decisões nos momentos apropriados, é muito pior do que perder dinheiro, aliás sem comparação.

      Essa trilha em especial é de outro planeta mesmo, parece que você não está na Terra.
      Se você gosta de estar perto da natureza, deveria conhecer a NZ, você que gosta de países desenvolvidos, iria se amarrar.

      Abraço!

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    2. Verdade Soul, queremos ter vidas significativas, eu diria "vidas de verdade". Esse tipo de vida que queremos tem uma certa dependência de dinheiro, mas ele é somente a ferramenta, não o produto. Me assusto com gente que quer ter mais e mais a qq custo e nunca viu um sunset nesses lugares que vc fotografa ou não fez um churrasco improvisado no meio do mato...

      Vc falou sobre a casa pequena da médica, lembrei do tempo que morei fora de SP (1 ano), num apê de 90m². Ele era ótimo, construção dos anos 50, robusto, planta legal mas não tinha a graça e o aconchego que o que moro hoje (com menos de 40m²) tem. Sou minimalista, gosto de pouco porém com qualidade, gosto de ter somente o que preciso e se parar pra pensar, precisamos de bem pouco.

      A NZ está no topo minha lista de lugares pra conhecer. Conheço poucas pessoas que estiveram lá, mas todas se apaixonaram.

      Abração!

      Corey

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  3. Oi Soul!

    Eu creio que você pode escrever sobre qualquer coisas, já que digamos " tens o dom da palavra".

    Eu no dia em que tiver condições de viajar por este mundo eu vou mesmo.

    Quando eu tiver um patrimônio, que me gere uma renda passiva interessante, ai sim o bicho pega e o passaporte vai bombar! kkk

    São palavras que parecem brincadeira, mas são verdadeiras!

    Boas Viagens

    Um abraço!

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    1. Olá, I.M.!
      Obrigado pelas palavras. É um bom plano, mas há diversas viagens que podem ser feitas com um custo bem baixo. América do Sul e Central podem te manter ocupado por meses a um baixo custo.

      Abraço!

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  4. Fantástico o lugar.

    De vez em quando é bom ficar 'offline' em relação ao resto do mundo.

    Curta bastante!

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    1. Olá, Investidor Internacional.
      Dia desses lembrei de você e sua carteira bem diversificada de ETF de ativos estrangeiros. Um dia acho que terei que ter certa exposição internacional mais direta.

      Abraço e obrigado!

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  5. Fala Sô!

    Gostei disto: "a vida e a felicidade só valem a pena quando compartilhadas". Esta frase resume bem o motivo pelo qual eu nunca irei deixar o Brasil ou mudar de estado por uma proposta de melhor salário. Do que adianta eu estar lá na China ganhando rios de dinheiro se não posso almoçar todo domingo com minha mãe, ou levar meus sobrinhos para passear no fim de semana, etc...

    Você tirar boas fotos Sô, qual equipamento vc usa? Faz algum tratamento nas fotos?

    Abraço!

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    1. Olá, UB!
      Primeiramente, a responsável pela maioria das fotos é a Sra. Soulsurfer, não eu! hehe

      É um bom ponto, meu amigo. Eu acho que nos perdermos, nos sentir fora de casa por um tempo, algo muito importante. Não sei se gostaria de passar diversos anos fora do meu país, mas um pouco de tempo é bom sim, pelo menos para mim.
      Porém, ao abrir os noticiários do Brasil, não dá vontade de voltar não...

      Abraço!

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    2. Fugir dos noticiários é pior, cada um tem que fazer sua parte para melhorar o país.

      Qual a câmera que ela usa?

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  6. Bom texto como de costume, lindas fotos e excelente experiência! Parabéns ee obrigado por nos brindar

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    1. Olá Guardião!
      Valeu, amigo. Estou acompanhando a sua trajetória. Pelo jeito muito trabalho, mas a sua evolução patrimonial é impressionante. Parabéns.
      Se você conseguir encontrar um equilíbrio na rotina, melhor né.
      Abraço!

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  7. Soul .. Texto muito lindo e inútil. Falo com a autoridade de quem viveu com estes dois dólares por dia. De alguém que fez escambo por comida.
    Um dia que você tiver em um hospital público caindo aos pedaços com médicos cansados e desatenciosos e perder um ente querido em um caso totalmente tratável em qualquer hospital particular mais preparado você vai mudar sua visão.
    Acompanhando tua história pelo blog no fundo você sabe que se queimar todo o seu dinheiro no mínimo você volta para a casa do seu pai onde terá um teto e um prato de comida . Provavelmente o mesmo cenário dos seus conhecidos surfistas e da personagem do filme.
    Não me leve a mal, não sou obcecado por dinheiro e nem acho que o mesmo traga paz e felicidade.
    Mas acreditar que queimar o dinheiro e andar por ai sem rumo é uma escolha válida me parece errado e até um desrespeito com a imensa maioria que vive com 2 dólares.
    Acho que você deveria refletir por este ponto de vista .....

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    1. Colega, sugiro que releia de novo o texto para uma melhor compreensão do mesmo, pois nem de longe o texto foi na linha da sua argumentação.
      Caso tenha interesse no que eu realmente penso sobre dinheiro, sugiro a leitura de um artigo que escrevi sobre as três finalidades do dinheiro em meados do ano passado.

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  8. Soul, por pouco vc não aparece no globo repórter, que fez matérias aí por esses tempos, haha. Quanto ao texto, muito bom (como de praxe) Abraço!

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    1. É verdade, fiquei sabendo.
      Eu daria um bom vídeo-repórter, pelo menos os vídeos que estou fazendo estão ficando engraçados ehehe
      Abraço!

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  9. Post muito interessante, é engraçado como mudamos ao decorrer da vida, estou planejando uma grande mudança para os próximos 2 anos, meu emprego consome a maior parte do meu tempo e quero mudar isso o quanto antes.

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    1. Olá, Surfista. Você ia gostar do lugar que estou atualmente, aliás de onde estou teclando. Em poucos dias, vou me desafiar em lugares lendários do surf, não sei se estou pronto, vamos ver. Continue se desafiando e procure sentido na vida, pode ser frases batidas, mas elas fazem todo o sentido quando realmente internalizadas.

      Abraço!

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  10. SS, vc possui ceoc, certo? Alguma novidade relativa à este fundo?

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    1. Não que eu saiba. Não devem alugar, e vamos ver o que vão decidir. Podem provavelmente decidir vender o fundo por um pouco acima do VP, o que será vantajoso para quem está comprado a 35-40,00 e uma dura lição para quem está comprado a 80,xx como eu.
      Entretanto, é apenas um palpite. O fundo ainda tem caixa para pagar as despesas por 1 ano, assim não há necessidade de chamada de aporte de capital imediatamente. A gestão desse fundo é horrorosa, fazer o que.

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    2. Putz, não me fale do CEOC.... é de deprimir!!! Preço médio > 80

      :o(

      Tomara que venda logo.

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    3. hehe, minhas compras de 33 estão bombando!

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  11. Soul pensei em ti hoje. O que pensa sobre as mensagens das pedras guias da Geórgia? Já as visitou?

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    1. Olá, colega. Pensei que falava da Geórgia o país (um lugar que quero bastante conhecer, junto com a Armênia, provavelmente quando viajar para a Ásia Central para fazer trekking). Não conhecia, pesquisei na internet, e vi que era no Estado da Geórgia EUA. As mensagens são interessantes, mas a primeira de manter a população em 500M é irrealista e não é justa. Precisamos achar um jeito de manter todos os 7BI, ou os 9,5 -10 BI previstos para 2015, humanos com uma boa convivência com o ambiente que nos circunda.

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  12. Soul, sei que está em outra sintonia no momento, mas mesmo assim, sem querer abusar, gostaria muito de sua visão como investidor sobre a postagem de hoje no meu blog. Abraços!

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    1. Olá, Guardião! Vi a sua postagem, realmente estou sintonizado com outras vibrações hehe
      Eu comecei a escrever um texto abordando temas da sua postagem, qualquer hora termino:P
      Abraço!

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  13. Olá Soulsurfer,

    Sempre leio seu blog mas nunca comento...
    Quando vi o título do artigo já pensei: xiiiii o cara enlouqueceu, agora vai vir com um papo de desapego material, tentando me converter a monge (como as pessoas que vivem a vida inteira com muito dinheiro e quando ficam mais velhas desapegam completamente dos bens materiais e querem virar São Francisco de Assis). Mas quando terminei a leitura do artigo vi que é uma visão realista e muito mais "macro" sobre o dinheiro do que sobre desapego. Parabéns pelo artigo e pela evolução que vem acontecendo com você.
    Abraço,
    Chimpa.

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    1. Olá, Chimpa. Peço escusas pela demora em responder.
      Agradeço as palavras. Nesse aspecto em específico devo muito aos ensinamentos do meu Pai e Mãe.

      Abraço!

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  14. Olá. Soul

    Acompanho teu blog há algum tempo e, diante do conteúdo dos teus últimos textos, não pude mais protelar em manifestar-me pelas razões que pretendo comentar resumidamente.
    Primeiramente, tenho a impressão de que se eu tivesse um irmão mais jovem, inteligente e bem sucedido talvez não houvesse tanta similaridade “filosófica” quanto a vários aspectos na forma de se enxergar a vida.
    O pensamento budista, o desapego, os belos exemplos familiares, a origem germânica, a fome pelo conhecimento, apreço por documentários e viagens, assim como as questões financeiras (comprar à vista, busca pela independência financeira, estudo de investimentos), enfim, são alguns itens que creio ter identificado, se estiver certo....ah, exceto o surfe e o xadrez, antes que eu me esqueça.
    Não duvido até que estejamos atuando na mesma carreira do serviço público, mais uma razão para este, pelo menos para mim, “desconforto existencial” que espero solucionar em médio prazo.
    Em relação ao “Into the Wild”, pareceu-me que o McCandless leu o “Walden” e tentou algo parecido, porém sem a preparação adequada e numa visão muito idílica da natureza, a qual é muito mais forte e imprevisível do que algumas pessoas pensam.
    Digo isso porque entrei numa enrascada semelhante em um parque florestal na Alemanha (o lugar mais belo que já conheci), cercado de montanhas, há uns 3 anos. Aventurei-me sozinho, no fim do inverno, ignorando as placas de advertência e quando dei-me conta estava atolado com neve até a cintura e as avalanches rolando a poucos metros.
    Naquele aperto terrível não pensei em Deus ou qualquer outra divindade, nem entrei em pânico, só pensei na família e percebi como a nossa vida realmente é fugaz e não temos total controle sobre absolutamente nada........e aí efetivamente resolvi mudar de vida e valorizar o que realmente interessa.
    Bom, esse comentário não ficou nada resumido, me perdoe....hehehe
    Finalizando, óbvio que não ousaria atrapalhar a tua viagem, mas apreciaria imensamente se, quando voltares ou aparecer uma melhor oportunidade e se for do teu interesse, pudéssemos trocar um e-mail para, digamos, uma “comparação de estratégias” nessa nossa busca pela liberdade.
    Vou deixar aqui meu e-mail, sem compromisso: desapegonauta@gmail.com

    Abraço e continue publicando textos com essa qualidade excepcional.

    Desapegonauta



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    1. Olá, colega!
      Primeiramente, mais uma vez obrigado pelas gentis palavras. Fico realmente lisonjeado.
      Sobre talvez ser da mesma carreira? Será? Uma vez encontrei um colega de carreira no blog do Tetzner.
      Claro, houve uma enorme dose de ingenuidade do protagonista. Ir a lugares selvagens sem preparo, equipamento adequado e experiência não é algo muito inteligente de se fazer. Não estimulo por completo o comportamento do filme, mas há sim muitos elementos que me estimularam muito a pensar e a agir (assim como outros filmes, livros, comentários, exemplos históricos, dos pais, etc).
      Por acaso foi a floresta negra?
      Colega, pode enviar e-mail para pensamentosfinanceiros@gmail.com e com certeza podemos conversar por lá.

      Abraço!

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  15. Excelente post Soul!! Realmente preciso ponderar mais a esse respeito. Às vezes limitamos nossas escolhas devido a pequenas "materiais", que colocadas em perspectiva sequer são significativas.
    Grande abraço
    Green Future

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  16. Excelente post Soul!! Realmente preciso ponderar mais a esse respeito. Às vezes limitamos nossas escolhas devido a pequenas "materiais", que colocadas em perspectiva, sequer são significativas.
    Grande abraço
    Green Future

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  17. Caro Soulsurfer, nossa que post foi esse?!!! simplesmente sensacional... descobri seu blog há poucos dias, acho que uns quinze, mas me identifiquei demais. Dentre os da blogosfera de finanças, na minha opinião, o seu é o melhor, pois alia aspectos humanistas que o enriquecem sobremaneira. Desse pouco tempo que o acompanho, li muitos posts, todos com muita qualidade. Parabéns por todas suas conquistas, pelo seu estilo de vida, pelo modo de compartilhar conosco e pela brilhante maneira de descrever situações e experiências. Abraço.

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    1. Olá, Leandro.
      Fico muito contente ao ler uma mensagem como essa. Estou numa ilha da Tailândia, e resolvi deixar aqui na recepção da humilde pousada para usar o wi-fi disponibilizado.
      Fico feliz que escritos meus possam de alguma maneira possam ser interessantes para algumas pessoas, fico muito satisfeito mesmo e acho que isso é uma fonte de felicidade e bem-estar.
      Desejo um feliz natal e um bom ano novo para você.
      Abraço!

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